sábado, 9 de janeiro de 2016

o não eu

Guerra se faz com barreiras. Ouvi isso hoje. Quando eu coloco barreiras e fico dentro, o que está dentro serve e o que está fora está errado. Assim, eu posso me dar ao direito de desejar destruir o que está fora, ou seja, tudo o que é diferente de mim, ou seja, tudo que não sou eu. Ver o outro como algo que não serve é uma violência imensa e extremamente agressiva. Acusar, julgar, maltratar é tudo porque somos incapazes de aceitar o outro no que nós não somos. E talvez não sejamos por escolha ou porque não saibamos o que ser ou o que não ser. E é tão só viver dentro de uma barreira chamada “eu e apenas eu” onde não cabe mais nada, e, olhando para fora, vejo todos os outros como algo errado pois não sou eu. Mas então por que viver com outras pessoas se tudo que quero é transformá-las no que eu quero que sejam? Por que não as desenho e convivo com os desenhos? Ou por que não vivo apenas com os espelhos vendo apenas a minha imagem e ouvindo a minha voz? Você suportaria isso? Viver sem o outro sempre? Se não, por que então quer que todos sejam o que você é?

Aceitar a diferença e o espaço do outro é o único caminho para a paz e a felicidade. Encontre na sua mente as pessoas que você mais odeia, mais tem aversão. Elas já devem ter vindo à sua mente nesse momento. Agora passe um bom tempo com elas aí dentro, veja os motivos dela como se você fosse ela, não sobre o seu ponto de vista. Encontre as verdades dessa pessoa, os caminhos que ela trilhou, os sentimentos que ela tem. Aprenda algo com essa pessoa, encontre o lado bom no seu comportamento, admire a beleza nessa pessoa, ainda que pareça impossível ver isso, busque até ver. Busque que verá. Porque há, e se não houver, veja pelos seus olhos e coloque beleza naquela pessoa, como ela é. Não que a pessoa não possa aprender e mudar e melhorar ou evoluir. Todos devemos, mas aprender significa ouvir. Ouvir significa aceitar. Aceitar significa amar. Amar significa dar ao outro. Dar ao outro significa crescer. Crescer nos leva à felicidade. A felicidade verdadeira é compartilhada. Se compartilhada ela torna feliz o outro. Se o outro é feliz há a paz. Se há a paz você nunca mais se sentirá sozinho porque não haverão mais barreiras que nunca te protegeram. Elas apenas te prenderam longe da felicidade. Então, aquela pessoa que te irrita o tempo todo, que não sai da sua cabeça, e que te causa um sofrimento horrível... ame-a, aceite-a e todo o seu sofrimento irá acabar, e talvez o dela também.


O eu só serve se sabe receber. Ou nos prenderemos entre espelhos quebrados com nossas imagens partidas que nos cortarão por toda a eternidade. Pare de olhar para o outro como se fosse você quebrado. Olhe para ele como inteiro e ganhe algo dele. Seu mundo se tornará muito melhor. Se você tem raiva de mim, me dê um abraço. Talvez eu não mereça. Mas não faça por mim, faça pelo seu bem estar, pela sua paz. Talvez você se faça feliz. Talvez você me faça feliz. Talvez nós dois felizes não precisemos mais de raiva entre nós. Estou aberto aos abraços.