Há poucas horas atrás eu estava em um ponto de ônibus e vi um homem sendo arrastada por outro. na verdade, o vi sendo empurrado, caindo e, em seguida, sendo arrastado para uma parte alta da calçada, onde ele, como deve ter pensado o arrastador, dormiria. Cheguei a abrir minha mochila para pegar o celular e chamar a polícia, mas... não me pareceu uma violência excessiva. pensei em duas hipóteses, a primeira é que se tratava do funcionário, ou dono, de algum estabelecimento comercial que o tirava de lá. A segunda é que ele estivesse correndo perigo de ser atropelado e por isto foi arrastado para ver ser resolveria dormir. Ele não dormiu. Voltou para a esquina por onde o vi chegar sendo arrastado.
Um homem arrasta o outro pela rua e o máximo que fizemos, nós que estávamos olhando, foi especular sobre o que estava acontecendo e, ainda, chegarmos todos a um comum e silencioso acordo de que aquele que o trazia à força estava fazendo a coisa certa. Demos a ele a razão sem ao menos nos esforçarmos para ver o outro lado. De certa forma, é fácil de se justificar; por que daríamos razão a um morador de rua bêbado? Porque na verdade não damos razões, observamos calados e nos resguardamos em nossos mundos cercados de silêncios efêmeros. Você tira de um homem a sua casa, sua família, seu trabalho, sua comida, sua dignidade e dá a ele o direito de ser arrastado e jogado como um saco de lixo em uma esquina.
Aprendemos a guardar as pessoas, mas não as guardamos em casa. E o mais interessantes é que todos concordamos com isto.
"Aprendemos a guardar as pessoas, mas não as guardamos em casa. E o mais interessantes é que todos concordamos com isto".
ResponderExcluirO mais grave é quando as coisas param de incomodar... e estamos caminhando pra isso.