terça-feira, 27 de outubro de 2015

muralhas

Às vezes existem muralhas que se constroem em nossa frente e nos impedem de prosseguir, talvez para sempre. Na maioria das vezes essas muralhas são pessoas. Eu mesmo já construí e fui muralhas na minha própria vida. Me machuquei muito para aprender a não ser. E nessas feridas eu entendi o mais importante: por maior que seja a minha muralha, por maior que seja a pessoa sustentando essa muralha, todas elas sangram. E se sangram, é porque podem ser feridas.

Somos educados em uma cultura egoísta e aniquiladora, intencionada apenas em fazer com que todos sejam iguais, limitados a pensar como iguais, a desejar a igualdade padronizada e, a impedir o mudança e a revolução, e para isso as pessoas se torna muralhas e nos cercam e nos prendem fora do caminho que devemos ou desejamos seguir. Se as muralhas sempre ficarem de pé elas vão impedir que a vida mude e a destruição à nossa volta só irá aumentar e se aglomerar em nossa alma. É claro que as muralhas são sempre maiores que nós, pois estão apoiadas em milênios de certezas e convicções, alimentados por milhares de indivíduos que não pensam livremente, são simplesmente conduzidos por um fluxo que sequer conhecem. As muralhas são enormes. São totalmente capazes de nos bater e nos machucar. Mas também podemos bater e sangrar e rasgar as muralhas. Se não pudermos pular sobre elas ou dar a volta, que as machuquemos, ou aceitemos ficar à sombra delas até nos tornarmos uma extensão e também sermos uma muralha ao novo e diferente. É uma decisão simples, dolorosa, mas simples. E quando o medo acaba o mundo fica melhor.

É claro que todos nós fomos educados por essa cultura destruidora e também construímos muralhas para nós mesmos. E nesse caso é preciso fazer sangrar a nós mesmos. Não há droga, terapia ou deus que substitua um bom rasgo no ego em função da liberdade. Destruamo-nos para sermos livres. Percamos, para vencer. E quando não formos mais muralhas, teremos a coragem e a força necessária para ferir quem se torne um impedimento à nossa vida. Sangremos os nossos medos e as nossas destruições, sangremos tudo o que impede a nossa liberdade. Todo sangue é válido pela liberdade. Porque as muralhas à sua frente sangram a sua alma todos os dias. E se a alma já sangra, que sangrem as muralhas.

A liberdade é o caminho mais belo em nossa vida. Ela cura todas as doenças e medos e todo o resto é mentira. Só há liberdade quando sabemos viver por nós e pelo outro, sem ego e também sem medo.


Seja livre ou seja muralha. A liberdade é inevitável, as muralhas sangram.  

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