domingo, 22 de julho de 2012

Cortinas fúteis


É estranho ver como os desejos se diluem em propostas imbecis a imbecis. Perceber o quanto os aspirantes a atores (corrigindo: aspirantes a famosos ou algo assim) são capazes de gastar mais do que gastariam em um ano inteiro de formação para tentar aparecer o dedo na grande mídia. E se tietarem numa foto de celular suas vidas sociais jamais serão a mesma depois de terem se tornado celebridade ao lado de alguém cansado que jamais se lembrará de seu nome ou seu rosto. Contudo é certo saber que toda a sociedade à sua volta louvará e glorificará essa atitude pois ele tocou nos idolatráveis seres supremos que cheiram seus personagens na agonia escravizada do merchandising para vender sempre mais.

É estranho e até ignóbil ouvir de bocas tão vãs que são artistas e que gritar por um estranho é manifestar seu desejo consumista de arte. Consumista sim, mas apenas de ilusões criadas para aglomerar percepções idiotas em torno de um mundo irreal. A grande mídia banaliza sua arte para que os medíocres sintam-se próximos e possam alimentar o sonho de um dia adentrar ao perfeito mundo do glamour, da fama, da beleza. Ficam de quatro, rabo empinado, esperando entrar uma esmola para se glorificar em vanglorias por toda a vida. Vida?

É tudo tão fútil e desperdiçado que cada vez mais os pensamentos somem, a inteligência se esconde e negligencia nossas vidas de prazeres reais. Os despensantes correm e gritam e xingam e nunca chegam a lugar algum se tropeçar em sua própria cegueira perdida nos sonhos incrédulos de que um dia sua estrela irá brilhar. Sinto pesar ao ver como estão todos de braços abertos a esse mundo inventado pelo capitalismo corrosivo de nossas almas mercadológicas.

Apagamos a arte, nos tornamos inacessíveis à beleza. Destruímos o mundo e plantamos a mentira em nossos corações. As amizades se perdem juntamente com a lealdade em meio à mesquinharia de conquistas podres cujo odor se torna aos imbecis um cheiro agradável, tão intenso quanto seu conhecimento e seu valor.

Nossas verdades se escondem atrás de cortinas fúteis que jamais nos libertarão porque só existem em nosso medo de sermos pessoas honradas, porque o que vamos exibir? Valores morais não brilham ou passam na tela da TV. O que vamos exibir? Etiquetas, colunas sociais em jornais com sorrisos falsos... nem vale o esforço de listar.

Sinto em ter que escrever estas palavras porque não me resta mais nada a fazer a não ser me tornar o vilão, ou como dirão, despeitado porque não está lá. Bem, não gosto de espetáculos com cortinas fechadas. Sou quem eu sou e nada mais. E se algum brilho me interessa, terá que sair de minhas palavras. 

Um comentário:

  1. Quando terminei de ler não sabia dizer ao certo se estava maravilhada com as palavras fortes e muito bem estruturadas, pela imersão em sensações provocadas por elas, ou incomodada por saber que cada vez mais essa questão é fortalecida e as suas palavras sobre isso mais necessárias. Palavras dignas de quem não compra arte em pedestais. Constrói o que muitos infelizmente nunca serão capazes de entender que existe.

    Parabéns pelo texto e principalmente pela forma de ver, construir e sentir a vida meu amor.

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