É estranho ver como os desejos se
diluem em propostas imbecis a imbecis. Perceber o quanto os aspirantes a atores
(corrigindo: aspirantes a famosos ou algo assim) são capazes de gastar mais do
que gastariam em um ano inteiro de formação para tentar aparecer o dedo na
grande mídia. E se tietarem numa foto de celular suas vidas sociais jamais
serão a mesma depois de terem se tornado celebridade ao lado de alguém cansado
que jamais se lembrará de seu nome ou seu rosto. Contudo é certo saber que toda
a sociedade à sua volta louvará e glorificará essa atitude pois ele tocou nos
idolatráveis seres supremos que cheiram seus personagens na agonia escravizada
do merchandising para vender sempre mais.
É estranho e até ignóbil ouvir de
bocas tão vãs que são artistas e que gritar por um estranho é manifestar seu
desejo consumista de arte. Consumista sim, mas apenas de ilusões criadas para
aglomerar percepções idiotas em torno de um mundo irreal. A grande mídia
banaliza sua arte para que os medíocres sintam-se próximos e possam alimentar o
sonho de um dia adentrar ao perfeito mundo do glamour, da fama, da beleza. Ficam
de quatro, rabo empinado, esperando entrar uma esmola para se glorificar em
vanglorias por toda a vida. Vida?
É tudo tão fútil e desperdiçado
que cada vez mais os pensamentos somem, a inteligência se esconde e negligencia
nossas vidas de prazeres reais. Os despensantes correm e gritam e xingam e
nunca chegam a lugar algum se tropeçar em sua própria cegueira perdida nos
sonhos incrédulos de que um dia sua estrela irá brilhar. Sinto pesar ao ver
como estão todos de braços abertos a esse mundo inventado pelo capitalismo
corrosivo de nossas almas mercadológicas.
Apagamos a arte, nos tornamos
inacessíveis à beleza. Destruímos o mundo e plantamos a mentira em nossos
corações. As amizades se perdem juntamente com a lealdade em meio à
mesquinharia de conquistas podres cujo odor se torna aos imbecis um cheiro
agradável, tão intenso quanto seu conhecimento e seu valor.
Nossas verdades se escondem atrás
de cortinas fúteis que jamais nos libertarão porque só existem em nosso medo de
sermos pessoas honradas, porque o que vamos exibir? Valores morais não brilham
ou passam na tela da TV. O que vamos exibir? Etiquetas, colunas sociais em
jornais com sorrisos falsos... nem vale o esforço de listar.
Sinto em ter que escrever estas
palavras porque não me resta mais nada a fazer a não ser me tornar o vilão, ou
como dirão, despeitado porque não está lá. Bem, não gosto de espetáculos com
cortinas fechadas. Sou quem eu sou e nada mais. E se algum brilho me interessa,
terá que sair de minhas palavras.
Quando terminei de ler não sabia dizer ao certo se estava maravilhada com as palavras fortes e muito bem estruturadas, pela imersão em sensações provocadas por elas, ou incomodada por saber que cada vez mais essa questão é fortalecida e as suas palavras sobre isso mais necessárias. Palavras dignas de quem não compra arte em pedestais. Constrói o que muitos infelizmente nunca serão capazes de entender que existe.
ResponderExcluirParabéns pelo texto e principalmente pela forma de ver, construir e sentir a vida meu amor.