quarta-feira, 12 de agosto de 2015

vil metal

Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

Não. Não sou como os que vieram antes de mim. Não que eu esteja menosprezando sua cultura, seus feitos e suas construções. Mas vi o mundo de uma forma diferente e quis estar nele de um jeito diferente para que ele se tornasse outro. Mudanças são necessárias e imprescindíveis à evolução, mesmo que sejam mudanças erradas, mas é que se tudo continuar no lugar, a vida para, e com a vida parada, fazer guerras e matar se torna justificável. Não sou como os que vieram antes de mim e espero que os que venham depois não sejam como eu. Sou a favor das mudanças e dos novos caminhos, mesmo que não sejam conhecidos, na verdade, os caminhos desconhecidos são os únicos que ensinam algo. O resto, já conhecemos.

Vou ilustrar o texto com a música “Como Nossos Pais” utilizando alguns trechos para colorir a condução do que vou falar. Mudanças, grades, medo e estagnação sempre fizeram parte de nosso sistema social. O padrão é as pessoas quererem viver de forma padronizada, sem mudanças, com a sensação de que isto traz conforto e segurança. Por que temos essa concepção?

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens...

Eles venceram e o sinal está fechado. Quem venceu? Quem fechou o sinal? O poder econômico que impõe a forma de consumo, ou o poder militar que ameaça as vidas ou o poder midiático que guia as cabeças e pensamentos sem que os indivíduos percebam, ou ainda poder da fé cega e preconceituosa que nos faz acreditar que alguém irá guiar nossos destinos e se estamos onde estamos é porque a divindade queria assim, ou deixou ser assim. Quem é o poder?

A questão toda está em eu pensar se há alguém que mereça o poder de conduzir a minha vida. Se há alguém por quem eu vou deixar o meu verdadeiro eu, aquele que gritou lá dentro e me ensinaram que ele deveria ser calado, e claro, para não perder o mundo à minha volta eu calo esse eu. Eles venceram? Sim, eles venceram porque permiti que vencessem, porque concordo com eles.

É assim que você faz quando o mundo conduz os seus pensamentos e os seus desejos. Para que eles vençam deve haver algo morto em você, mas não são eles que matam, é você que mata. Porque você é igual a eles, faz parte deles. Seus pensamentos, seus valores são os mesmos deles. Valores. O que são os valores? Por que não acreditamos mais neles?

Caráter. Quem é você? No que acredita? É capaz de ter seus ideais em você, seguros e lutar por eles? É capaz de aceitar a liberdade do outro, seja ele quem ele for? Se existe isso e existe alguma verdade em você, você tem caráter, se não, não há nada além de uma personalidade criada.

Dignidade. Vou viver a vida que eu quero viver. Acreditar no que preciso acreditar. Amar do jeito que quiser amar. Não vou tirar nada de ninguém. Não vou deixar que ninguém tire de mim. Assumir que sou forte. Assumir que sou fraco. Que acerto, que erro. Não rasteje por migalhas. Não aceite migalhas. Viva a vida que quer viver. E se não deixarem, tenha honra.

Honra. Se há um ideal aí dentro. Acredite nele e morra por ele e com ele ainda aí. Não trapaceie, não roube, não maltrate, não desista de ser quem você é, isso é o mais importante na sua vida, na verdade, isso é a sua vida, sem isso, não haverá honra e você estará morto. E a maioria das pessoas vende barato a sua honra, vende por um pouco de dinheiro, vende por imagem e status, priorizando o que vão pensar dela, vende por comodismo. Se há honra, você é quem você é, faz o que precisa fazer, vive como quer viver e não maltrata ninguém. Se não há isso, não há honra, e sem honra, você já está morto.
Coragem. Para haver honra é preciso haver coragem. E o que é a coragem? É ter medo todos os dias, e sentindo esse medo, não parar. Coragem é deixar a sua honra viver. É preciso coragem para olhar nos olhos de todos e ser sempre você. E mais do que tudo, é preciso ter coragem para mudar você e ser outra pessoa. Não desista sendo o que querem. Morra sendo você, porque assim, não haverá medo de morrer.

Isso não é um tratado moral ou de mudança de valores. Isso é o que sinto agora e um dia isso pode ter mudado de alguma forma e espero que mude. Só nunca vou deixar que eles vençam e nunca serei um deles. Serei sempre eu. Morrerei sendo eu. Porque assim todos os dias terão valido apena.

Hoje eu sei que quem me deu a ideia e
De uma nova consciência e juventude
Tá em casa, guardado por Deus
Contando vil metal...  

Uma nova consciência e juventude. Sempre busquei nova consciência. Sempre quis mudar e aprender e crescer e me tornar outro. Conheci muitos mundos, muitas pessoas, grandes pessoas. Sempre quis encontrar pessoas com mais conhecimento que eu para me ensinar algo. Foi então que encontrei uma pequena garota que nunca teve a intenção de me ensinar nada e com quem nunca tive a intenção de aprender. E, sem querer, começamos a aprender infinitamente um com o outro. Me senti agitado, animado, mais jovem, mais vivo. Nunca aprendi tanto na minha vida como agora, quando aprendi a ouvir o outro como alguém mais importante do que eu. O outro é o meu conhecimento, porque ele tem tudo o que eu não sei. Eu vi tantos mundos que me tornei um outro eu.

Mas há pessoas que contam o vil metal, dinheiro? Poder? Medo? Status? Acho que tudo cabe ali, na palavra metal. A imagem é você sentado no sofá contando seus lucros, sejam quais forem, financeiros ou ideológicos. E pensando assim, só será bem sucedido no padrão do mundo em que vivemos, se viver com ele. Caso você fuja desse mundo convencional, ele o considerará mal sucedido, fracassado, um problema e tentará aniquilar você. E vai haver um dia em que todos contarão o vil metal, ou com você, ou contra você. A questão é, você quer mudar e ser outro e ter tudo o que precisa ou quer contar o metal com eles e ser só mais um, como todos, obedecendo todos?

Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem...

O novo sempre vem. Sim, você pode viver em seu conforto e nunca lutar por nada e nunca criar nada. Parecerá bem, parecerá feliz. Parecera confortável, tão confortável que quererá que nada saia do lugar. Quererá até que o outro e o diferente acabem e não existam mais. Você contará o metal e terá nele o seu único valor. A mídia e o status vão mandar em você. E ficará no passado com medo do futuro, com medo do novo, com medo de tudo que te fará bem e fará você crescer. E um dia, você irá querer que nada mude.

O novo sempre vem. E o mundo vai mudar um dia. E você não terá feito parte dessa mudança. Você terá combatido e lutado contra essa mudança. E a mudança virá e sua vida terá sido ultrapassada e você terá sido o problema que foi superado pela evolução.

Seja o novo. Mude e antes de qualquer coisa, torne-se novo e torne-se alguém melhor. Mais forte, mais corajoso, mais digno, mais honrado. Construa algo. Construa você. Irá doer e irão tentar parar você. Siga passo a passo. O que importa não é o acúmulo de valores superficiais. O que importa é a liberdade, a sua e a do outro. Liberdade requer sacrifício. Liberdade é tudo o que importa para ser feliz. Só as pessoas livres são felizes. Você vai perder muitas coisas. Mas as perdas são apenas mais espaço livre para acrescentarmos coisas novas que nos mudam e nos tornam outras pessoas.


Seja livre. Seja feliz.  

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